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riscos_e_rabiscos

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Discriminações Sociais

                                   

 

Esta cena passou-se hoje quando eu ia para a escola. Devo antes de mais esclarecer que não sou racista, xenófoba nem outras coisas do género. E que abomino estas coisas, sempre achei que somos todos iguais não interessa raça, cor ou religião. Eu penso assim. Talvez tenha a ver com a minha profissão.

 

Eram duas horas e fui apanhar o autocarro para ir para a escola como normalmente. Esperei que o semáforo abrisse para os peões (tenho muito cuidado a atravessar as ruas!), atravessei a rua e fui para a paragem da camioneta. Montes de gente esperava ansiosamente por uma camioneta, sinal de que não passava nenhum há meia dúzia de séculos.

 

Surgem três fulanos negros, vindos sabe-se lá de onde, um de bicicleta e os outros dois a pé. Passam por nós e, subitamente, desatam a rir. Ficámos todos a olhar para eles devido àquele comportamento inexplicável. É então que um começa a rir-se e a dizer “ Olha o panel***o!!! Ahahahaha! De cabelinhos compridos e de racha nas calças!!! Ahahahah!” Fiquei estupefacta a olhar para o parvalhão até porque não via ninguém com tal descrição física… ainda pensei que estivesse a gozar com algum velhote. E até me lembrei que poderia ser um fulano que mora aqui e que toda a gente sabe que é homossexual (um dia contarei a sua história) mas que é tratado com todo o respeito que merece.

 

Bom, entretanto os outros dois parvalhões que já iam mais à frente, voltaram para trás para “ver bem” de quem o outro estava a falar. Mas com um desplante que só visto!!! Só faltou uma lupa para examinarem milímetro por milímetro. E sempre a repetir as palavras do parvalhão da bicicleta. Vá de rir desalmadamente com um gozo de meter nojo! As cerca de vinte pessoas que ali estavam, ficaram a olhar estupidamente para eles, tal como eu.

 

Afinal eles estavam a “gozar” com um teenager que ali estava sentadinho a curtir uma musiquinha no seu ipod e que foi superior àquelas três poias de m***a que por ali passaram. Independentemente da orientação sexual do rapaz, que não interessa a ninguém, tinha um ar muito engraçado à Kurt Cobain, de cabelos compridos loiros e olhos claros.

Chegou a camioneta e foi nessa altura que vi, por acaso, que o tal fulano homossexual também lá estava. Fiquei confusa mas depois percebi que aquilo tudo tinha sido mesmo para o tal rapaz. É que ele tinha as calças rasgadas nos joelhos…

 

Agora imaginem a situação. O verdadeiro homossexual deve ter-se sentido super mal com a situação. É que por coincidência também tem cabelos compridos loiros, só acho que não tinha calças rasgadas.

Imaginem que era ao contrário. Que era um negro que ali estava sentado à espera da camioneta calmamente e que vinham três fulanos abordá-lo descaradamente no gozo para lhe dizer coisas como “Preto! Volta para a tua terra!” Será que eles iam gostar? Já se esqueceram que também são alvo de discriminação e que, de certeza, não é nada bom? Que moral têm eles para se meter com quem quer que seja? Desconhecem o valor da palavra respeito? E o direito à diferença? Estas coisas revoltam-me as entranhas…

 

Gajos como estes era metê-los dentro da sanita e puxar o autoclismo…!!!

 

 

Já passou...!

A ressonância magnética está feita. Tal como os TAC, não dói. Lá fiquei eu enfiadinha dentro da máquina com os barulhos típicos deste exame (parece que temos uma betumeira mais 500 trabalhadores das obras em cima de nós a trabalhar), mas deram-me uns tampões para os ouvidos... menos mal. Fiquei sugadita a respirar devagarinho e sem me xer. Portei-me bem. Vejam lá que eu quase que adormeci.

Os técnicos eram simpáticos e foram sempre perguntando se eu estava bem e também me iam explicando o que ia acontecendo e quanto tempo ia demorar aquela fase. Õ chato mesmo é a imobilidade total. Às tantas deu-me uma vontade horrível de tossir. Mas o auto-controlo é uma coisa fabulosa. A única coisa chata foi um pormenor humilhante que eu desconhecia, mas que fazia parte do exame - e eu não sabia. Não vou revelá-lo aqui porque não sofro de falta de decoro. :P

Vamos ver o que vai acontecer no próximo exame médico...

Hoje ouvi uma coisa, mais uma vez no bus, que me revoltou até às entranhas... Como é que é possível em pleno século XXI? É aviltante...

Vinham duas senhoras africanas sentadas atrás de mim, a conversar sobre as suas vidas e sobre os seus trabalhos. às tantas oiço uma dizer que se tinha inscrito não sei onde e que foi chamada para entrevista. Ela lá foi toda contente porque estava desempregada. Quando lá chegou levou com um iceberg na cabeça, não foi com um balde de água fria.

Os entrevistadores assim que olharam pra ela disseram-lhe logo declaradamente: " tu não deves ficar porque eles não aceitam pretas". Sinceramente, indignou-me e doeu-me ouvir isto. Como é que há pessoas assim repugnantes? Imaginem lá vocês, que estão desempregados, serem rejeitados não pelo facto de não terem qualificação mas porque são pretos?!?!?

Nós podemos escolher a nossa cor da pele? Há diferença entre os seres humanos só porque não somos brancos? A mim irrita-me profundamente porque sou colorblind em relação aos seres humanos. Talvez tenha a ver com a formação pessoal e com a minha profissão mas posso afirmar com toda a felicidade do mundo que NÃO SOU RACISTA!

Tenho dito!